Terça-feira, Maio 29, 2012

Essa língua portuguesa...

To ensaiando há um tempão passar por aqui pra falar sobre a dúvida que há na cabeça de 8 entre 10 brasileiros: afinal de contas, é "ter pego" ou "ter pegado"? Como é que se diz?
Não é nada complicado....
Essa dúvida ocorre porque na nossa querida língua, há os verbos chamados abundantes. E eles são chamados assim porque, de fato, abundam. Eles apresentam mais de uma forma de conjugação.
São os regulares e os irregulares.
Os regulares são aqueles que têm a terminação -ado e -ido e devem regidos pelos verbos ter e haver (ter amado, haver desejado, ter aconselhado).
Os irregulares são os outros, cuja terminação é diferente da dos reglares. Estes são usados com os verbos ser e estar.
Olha só alguns exemplos de verbos abundantes, com suas formas regulares e irregulares:


Verbo: aceitar 
Regular (ter e haver): aceitado 
Irregular (ser e estar): aceito

Verbo: acender
Regular (ter e haver): acendido
Irregular (ser e estar): aceso

Verbo: defender
Regular (ter e haver): defendido
Irregular (ser e estar): defeso

Verbo: eleger
Regular (ter e haver): elegido
Irregular (ser e estar): eleito

Verbo: entregar
Regular (ter e haver): entregado
Irregular (ser e estar): entregue

Verbo: enxugar
Regular (ter e haver): enxugado
Irregular (ser e estar): enxuto

Verbo: expressar
Regular (ter e haver): expressado
Irregular (ser e estar): expresso

Verbo: fritar
Regular (ter e haver): fritado
Irregular (ser e estar): frito

Verbo: imprimir
Regular (ter e haver): imprimido
Irregular (ser e estar): impresso

Verbo: isentar
Regular (ter e haver): isentado
Irregular (ser e estar): isento

Verbo: limpar
Regular (ter e haver): limpado
Irregular (ser e estar): limpo

Verbo: matar
Regular (ter e haver): matado
Irregular (ser e estar): morto

Verbo: pegar
Regular (ter e haver): pegado
Irregular (ser e estar): pego

Verbo: prender
Regular (ter e haver): prendido
Irregular (ser e estar): preso

Verbo: salvar
Regular (ter e haver): salvado
Irregular (ser e estar): salvo

Verbo: segurar
Regular (ter e haver): segurado
Irregular (ser e estar): seguro

Verbo: soltar
Regular (ter e haver): soltado
Irregular (ser e estar): solto

Verbo: sujeitar
Regular (ter e haver): sujeitado
Irregular (ser e estar): sujeito

Boa técnica pra não esquecer é ter sempre em mente um exemplo: "ser" e "estar" pego / "ter" e "haver" pegado.

Quarta-feira, Maio 23, 2012

Tortura ao vivo*

Um colunista da Revista Alfa se submeteu a um domingo inteiro assistindo à TV aberta, sem sair de casa. O resultado? Eu gostei tanto da opinião dele, que decidi compartilhar.... ta aqui...

Tortura ao vivo

9:15 (SBT) Acordo estremunhado e Chaves está passando na tevê, que deixei ligada. Nunca vi Chaves, o que me deixou de fora de metade das conversas ao longo da minha vida. É inocente e tudo, mas é difícil imaginar uma geração que cresceu vendo isso sabendo escolher uma gravata.

10:50 (Record) Uma má fase do Picapau, e eu nem sabia que ele havia passado por uma má fase. Cores berrantes de todos os desenhos pós-anos 1980: verde-tomada, roxo etc. (As mesmas cores dominarão o dia em todos os programas de auditório.)

11:10 (Globo) A Globo parece ter descoberto o que é curling, e por Deus como estão empolgados. Crianças assustadoramente desajeitadas aprendem o esporte. Esporte no Brasil é tratado pelos canais abertos como hobby de pessoas com um leve retardo mental: com um tom constante de bom humor nauseante, mascotes, animações etc. Os apresentadores parecem um casal excessivamente amigável e um pouco burro que você tentaria evitar durante uma excursão.

13:00 (Globo) Regina Casé. A plateia parece selecionada para que ninguém seja mais bonita que a apresentadora. Aparentemente toda atividade humana é considerada cultura por Regina Casé. “Ai, que mistura antropofágica tropicalista deliciosa”, ela diz. Esse programa tem uma ideologia sinistra: uma mescla blasfema de modernismo, tropicalismo e ecologia. Se quer saber qual a ideologia da verdadeira casta dominante brasileira, veja isso. Pessoas com “experiência de sustentabilidade” são entrevistadas e se entediam umas às outras.

14:00 (Globo)
Vovozona parece grande arte depois disso tudo – um filme de Renoir ou Ozu.

16:50 (Record) Um cavalheiro pouco instruído e de testa alarmantemente baixa puxa a minissaia de uma gostosa com uma espécie de aspirador. Todos riem. Isso dura uns 10 minutos. Tudo tem uma lubricidade tão desanimada que poderia ser apreciada na companhia dos seus avós.

17:30 (SBT) Eliana. Mulheres meio acabadinhas de meia-idade corrigindo “falhas na sobrancelha”. “Batalha das Encalhadas – Faltou química ou pegada?”

17:40 Não queria quebrar o fluxo de idiotia, mas li um pouco de Camilo Castelo Branco no banheiro. Isso é trapaça?

18:00 (Globo) Faustão, emagrecido, mostra videocassetadas com a cara trágica de um promotor relatando horrores no tribunal de Nuremberg. Voz do Faustão muito alta. Sensação de vergonha de que ouçam a voz dele saindo do meu apartamento.

19:45 (SBT) Sílvio Santos, cujo programa não vejo desde a infância, mantém sempre um tom de zombaria em relação ao público. Isso basta para torná-lo superior aos outros apresentadores, como ser humano mesmo, porque sua zombaria parece mais honesta que a bajulação e a falsa simpatia dos concorrentes. Quase entendo o carinho que alguns dos meus amigos sentem por ele. O imperdoável é que usa um terno apertado demais na barriga e combina sempre a gravata com o lenço.

20:50 (Globo) Depois de ver um pouco de Baywatch na Bandeirantes (me recuso a dizer “Band”, sempre acho que estão forçando a intimidade), passo para o Fantástico. Revelações desenxabidas sobre corrupção. Não vai ter reportagens com pessoas deformadas, ou sobre o Segredo de Fátima, com música sinistra? Nada jamais me meteu tanto medo quanto os Fantásticos da minha infância.

21:00 Minha namorada vem me ver e respondo com sons guturais de macaco. A vulgaridade deve estar emanando do meu rosto como a tristeza do rosto do Faustão. Uma sensação de que o conjunto de possibilidades da vida foi drasticamente reduzido. Estou convencido de que ninguém tem uma preocupação intelectual no mundo. Durante anos não quis visitar os canais abertos porque tinha medo de ser assaltado. Depois de 12 horas nesse bairro industrial abandonado, nada me aconteceu fisicamente. Mas os efeitos mentais demoraram algumas horas para passar.

*Fonte: Revista Alfa

Terça-feira, Maio 22, 2012

Quase fogo...

Sou desastrada e isso não é segredo pra ninguém. De vez em quando eu torno público algum dos meus desastres.
No sábado passado, por exemplo, entre o café da manhã e a cozinha do almoço completamente limpa, eu derrubei 16 coisas na cozinha. Não tem explicação. Não há justificativa. E eu contei. Na verdade, parei pra contar, lá pelas tantas, depois de perceber que só faltava eu derrubar a geladeira, o armário de parede e o microondas. O resto, já tinha mandado tudo ao chão.
O caso é que o meu desastre, ontem, virou outra coisa. Depois do jantar preparado, os fogos devidamente apagados, ou não, eu me distraí com uma conversa, na casa da vizinha (não, não era fofoca nem nada e a vizinha não era uma chata, era a minha mãe). Até aí tudo bem, certo? Sim, certo, se todos os fogos tivessem sido, de fato, devidamente apagados.
Quando percebi, a minha casa inteira tinha virado apenas um céu nublado. É, gente... fumaça cinza de um tanto que não dava pra enxergar absolutamente nada.
Em apenas dois segundos, eu entendi que tinha alguma coisa errada. Como se não fosse óbvio. A questão é que os dois segundos foram suficientes pra eu ter certeza de que tinha alguma coisa de muito errada mesmo, porque eu tinha apagado todos os fogos!
Não, não tinha.
Resultado? Feijão torrado, casa incendiada de fumaça por duas horas e aquele cheiro de queimado que nunca mais saiu de ambiente nenhum. Ta tudo impregnado.
Pelo menos foi só fumaça.
Porque comigo, nunca fica no menor dos males... era pra ter sido fogo mesmo.

Sexta-feira, Maio 18, 2012

Quarta-feira, Maio 16, 2012

Só no Brasil...

Comparações entre pontes...*


 


Há uma semana, o governo da China  inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que  liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$2,4 bilhões.
Há uma semana, o DNIT escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Ponte Alegre, uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff. Confiado ao Ministério dos Transportes, o colosso sobre o rio deverá ficar pronto em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, vai engolir R$ 1,16 bilhão.
Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. Na edição desta segunda-feira, o jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto númerico resumido no quadro abaixo:

Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões. Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.
Depois de ter ordenado o afastamento dos oficiais, aí incluído o coronel do DNIT, Dilma Rousseff parece decidida a preservar o general.
“O governo manifesta sua confiança no ministro Alfredo Nascimento”, avisou nesta segunda-feira uma nota da Presidência da República. “O ministro é o responsável pela coordenação do processo de apuração das denúncias feitas contra o Ministério dos Transportes”.
Tradução: em vez de demitir o chefe mais que suspeito, Dilma encarregou-o de  investigar os chefiados.
Corruptos existem em qualquer lugar. A diferença é que o Brasil institucionalizou a impunidade. Se tentasse fazer em outros países uma ponte como a do Guaíba, Alfredo Nascimento e seus parceiros saberiam que o castigo começa com a demissão e termina na cadeia.